quarta-feira, 29 de junho de 2016



parece que o mundo não me basta
estive a observar isso
pelo menos este mundo aqui
nao quero mais um sitio pra morar
nao quero apartamento
nem um amor fixo
nem um lar que use todo santo dia
carro? nao
eu quero arte
eu quero pessoas
voz, mão, coração
violao
quero andar pelos atalhos
seguindo os pássaros
que riscam poesia no ceu
chega de avenida
e suas pessoas atropelantes e ultrapassadas

tudo que permaneceu em mim ja basta
o que tenho me tornou feliz
estou em busca de uma nova vida
ainda nao sei que realidade é essa
a agonia é muito grande
a alegria que tenho também
a gangorra esta equilibrada
e o sorriso deste brinquedo aponta para cima

quero viver a minha mente
ou seja, sem limites
estou recuperando sonhos de muito tempo atras
cada dia invento uma manobra nova
mesmo fazendo todo dia a mesma coisa
a manobra ainda esta na imaginação
esta na hora de seguir a direcao
o caminho sem placas
a percepcao
nao da pra fingir que não escuto
a voz esta gritando
nao me sinto completo
se eu não achar meus pedacos pelo caminho
vou criar novos pedaços meus
nao quero catar estrelas
quero come-las
é meu direito de habitante do sistema solar

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tem uma hora
Q não tem música
Não tem musa
Nada satisfaz

Vc ouve a música
Vc come a musa
Mas nada te satisfaz

Ô viúvia vite-a a vulva
Nada me satisfaz

Ô freirinha comi-te a bunda
Nao satisfaz

quinta-feira, 14 de abril de 2016

brisa de raios de sol me percorre em veias

definitivamente eu sou um lagarto

folhas parapente se entortam em queda - para elas o chão é o céu

existem muitas coisas doces - igualmente lábios

os olhos me falam - eu vi os seus lábios com gotas de seiva

borboleta era folha que se encontrou com outra e criou vida, através da cor

para ela o céu é o chão

folhas doces guardadas em pote - boca de barro - mel de astronauta

passarinho não se guarda - ele vive a cor do céu enquanto bate asas

você quer ser a minha casa?

não te quero com paredes

segunda-feira, 11 de abril de 2016

ENTRE AS DUNAS, PERTO DA PRAIA

a manhã, um bom lençol
que te envolve - pele da sua pele
cobra que te cobre e
descobre
assim como os olhos que se abrem
alvoroçando os cílios do sol

nasce o dia - assim eu imagino
dia cor da sua pele, brisa derme
que escama em nuvens poucas
pássaro voz alça vôo, bate as asas
pingos de açúcar orgânico - sorriso

não televisão - sim vamos nadar
mar de palavras - faladas, pensadas
na praia com ondas bocas

mundo útero mãe de todas as poesias
baú dos desejos
te peço apenas esse, por hora
ser o expectador do amanhecer do seu corpo
prometo inalterar a paisagem
e intocar - entre meus dedos
seus cabelos céu de Van Gogh

quarta-feira, 2 de março de 2016

ele sobe a escadaria com as maos
tocando piano
seu barulho de viver
seu barulho de mundo
é musica de nascer

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O som do silencio nao é o silencio
é voce gritando por dentro
mas ninguem ouve
em dezembro
tu és pólem
que não se guarda em pote
já eu, vento avoado
assobio de serrote
procuro ficar quieto
senão você voa e foge

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Que régua meço eu essa coisa que nem gás é?
Não importa, me concentro e seguro firme o invisível que se enlaça na minha mão
Eu me mudo massinha, troco as cores, escrevo frases numa ilha erma no meio do atlântico
Meu eu quer e não há nesse mundo fato ou coisa que irá me impedir
Vou em busca daquilo que não há de se enxergar
Não é capim nem mesmo montanha
Embora encubra tudo muito mais que qualquer cume
Sou um caçador além do cheiro e da visão
E que não usa armadilhas 

Eu sigo me mostro e vou pra casa

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Meu fígado pulou fora
Doidão
Roxo
Parecia meu saco
E nunca mais voltou

Logo depois foi a vesícula
Estufada, vermelha
Sem conseguir respirar, desapareceu

E pouco a pouco todos se foram
Até as unhas partiram

Ficou somente eu e minha psicodelia
Espalhada no espaço da cabeça oca.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

passo passado
a caminhada que se faz no presente
já é passado
a cada passo dado
caminhamos no ausente
no encalço da mente
no respiro do peito
do pé, fumegando poeira
na direção da estrela

eu sonho em pé.